Páginas 103–119 do livro digitalizado.
Um projeto é bem mais do que um simples conjunto de vistas desenhadas.
5.1 Visão geral do capítulo
No dia a dia do profissional de projeto, um número elevado de informações gráficas, textuais e diagramáticas deve ser manipulado e organizado, seguindo diretrizes e padrões.
Objetivos: examinar as práticas e normas que facilitam o manuseio, a organização e a recuperação dos documentos de um projeto.
5.2 O projeto e seus documentos
Um projeto é sempre mais do que um conjunto de desenhos: é um conjunto de documentos de vários tipos (desenhos técnicos, desenhos ilustrativos, listas, orçamentos, cronogramas, descrições).
A padronização é necessária para: papeis utilizados; formas e organização das folhas de desenho; elementos numéricos e textuais; sistemas de notação para articulação entre desenhos.
5.3 Folhas de desenho e suas dimensões
A NBR 10.647 distingue desenhos projetivos (vistas ortográficas e perspectivas, objeto desta obra) de desenhos não projetivos (diagramas, esquemas, fluxogramas). A ABNT também classifica por grau de elaboração: esboço, desenho preliminar, croqui e desenho definitivo. O termo adotado pela ABNT para a superfície do desenho é folha de desenho (ou prancha de desenho, na arquitetura). Para organizar as folhas com outros materiais impressos, padroniza-se: as dimensões da folha e a forma como devem ser dobradas.
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Esses padrões são estabelecidos pela NBR 10.068. O Brasil adota a série A (incorporada pela ISO, com origem na norma alemã DIN de 1922). O formato básico AO tem área igual a 1 m² e a relação entre largura e altura é a mesma entre o lado de um quadrado e sua diagonal (L = A√2), resultando em 841 mm × 1.189 mm. Figura 5.1 A montagem do formato-base da série A.
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Os formatos derivados (A1, A2, A3, A4…) são obtidos dividindo o formato anterior ao meio, ao longo do lado maior. Figura 5.2 Série A: formatos derivados do formato AO. Tabela 5.1 — formatos-padrão da série A: AO (1189×841mm), A1 (841×594mm), A2 (594×420mm), A3 (420×297mm), A4 (297×210mm).
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Essa divisão permite dobrar todas as folhas da série A até o tamanho A4 para armazenamento padronizado. A NBR 13.142 regula a forma de dobragem, sempre resultando em uma folha A4, com área reservada para a legenda e possibilidade de perfuração para arquivamento em fichários.
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Figura 5.3 Dobragem dos formatos AO, A1, A2 e A3.
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5.4 Leiaute: a organização das informações
A NBR 10.068 também regula o leiaute da folha de desenho: margem, marcas de dobra, marcas de centro, marcas de perfuração, contorno da folha e do quadro, e área para a legenda. Figura 5.4 Anatomia e leiaute de uma folha de desenho.
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A legenda fica sempre no canto inferior direito, largura de 178 mm. Margem e quadro delimitam a área de desenho, criando uma zona de segurança contra desgaste nas bordas (a margem esquerda é mais larga para permitir perfuração). Marcas de centro determinam os eixos de simetria. Escala métrica de referência: linhas em intervalos de 10 mm. Sistema de referência por malhas: sistema alfanumérico para localizar desenhos auxiliares entre folhas diferentes.
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Figura 5.5 Exemplo de sistema de referência por malha. Marcas de corte: pequenas marcas que facilitam o corte da folha ao tamanho padronizado. Nem todos os elementos do leiaute são obrigatórios (margens, quadros, legendas e marcas de centro sempre estão presentes; marcas de corte, escala de referência e sistema de malhas são opcionais).
5.5 Cotagem
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Desenhos projetivos em escala precisam de indicações numéricas de medidas (cotas) para evitar imprecisões de leitura com escalímetro. A NBR 10.067 regulamenta a cotagem, incluindo a posição relativa dos desenhos conforme o diedro utilizado.
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Figura 5.6 Posição relativa das vistas conforme o diedro utilizado na projeção (há inversão entre as vistas superior, inferior, direita e esquerda do 1º para o 3º diedro); um símbolo no canto inferior direito indica qual diedro foi usado. A NBR 10.067 também classifica as cotas conforme sua função e aplicação de tolerâncias.
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Tolerância é a variação admissível na medida conforme imprecisões de fabricação (comum na engenharia mecânica). Princípios da cotagem: toda cota necessária deve ser incluída; deve ser indicada na projeção mais clara; todos os desenhos devem usar a mesma unidade (sem símbolo, salvo indicação na legenda). Figura 5.7 Elementos de cotagem: marca de centro, linha de cota, linha auxiliar, limites da linha de cota.
A coerência na configuração dos elementos de cota deve ser mantida em todo o projeto, reduzindo o tempo de entendimento e os erros de interpretação.
5.6 Síntese do capítulo
Os elementos normativos que regulam a prática do desenho técnico no Brasil organizam a documentação do projeto, da cotagem à disposição na folha (leiaute), facilitando a interpretação e reduzindo erros. Palavras-chave: Norma Brasileira de Desenho Técnico; folha de desenho; dobragem; formatos; série A; cotagem.
Exercícios de fixação
- Escolha três áreas diferentes de projeto (edificação, mecânica, instalação hidráulica) e obtenha desenhos técnicos executados em cada área. 2) Confronte os desenhos com os conhecimentos adquiridos, observando: diedros utilizados; leiaute das folhas; forma de cotagem; informações textuais e quantitativas. 3) Leia as normas técnicas citadas neste capítulo (NBR 10.647, NBR 13.142, NBR 10.126, NBR 8.403, NBR 10.068, NBR 10.067) e faça um relatório apontando conformidades e inconformidades encontradas. 4) Verifique seu aprendizado: a) Que outros tipos de documentos, além dos desenhos, são comuns em projetos, e quais os desafios de organizá-los? b) Quais as vantagens de formatos de folha múltiplos de um formato básico? c) Por que a posição e largura da legenda são normatizadas? d) Existe uma única forma de cotar desenhos?
Referências bibliográficas
ABNT. NBR 10.068 “Folha de desenho. Leiaute e dimensões”. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, 1987.
ABNT. NBR 10.647 “Desenho técnico”. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, 1989.
ABNT. NBR 10.067 “Princípios gerais de representação em desenho técnico”. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, 1995.
ABNT. NBR 13.142 “Desenho técnico — Dobramento de cópia”. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, 1999.
PIGNATARI, D. Informação, linguagem, comunicação. São Paulo: Cultrix — Atelier Editorial, 1980.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
Imagens do capítulo
Desenhos, gráficos e tabelas cedidos pelo autor do capítulo.